terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Jogos Mortais

Não. Isso não é mais um longa metragem da série “Jogos Mortais”. Esse é o conceito da campanha publicitária que acaba de ser lançada pelo governo do Estado. Eis que surge uma questão: será que finalmente o governo “acordou” para a gravidade da evolução do uso das drogas, neste caso específico, o crack?

FATO NÚMERO UM: o Estado não garante e nem cria mecanismos concretos para retirar a sociedade da situação de vulnerabilidade em relação às drogas. Soma-se a isso, o fato de que é a sociedade que sofre as conseqüências da falta de políticas educacionais e de saúde pública, preventiva e corretiva, respectivamente, para combater o uso delas.

Pois bem. Quando da criação de uma campanha publicitária como essa, o Estado implicitamente transfere sua incompetência administrativa (ou não!) para os indivíduos. Ou seja, sabe aquela história de jogar a culpa nas “costas” dos outros?! É isso: responsabilidade pelo adentramento ao vício é uma escolha pessoal, e o aumento da criminalidade é uma conseqüência disso. Eu – O ESTADO – quero que vocês acreditem nisso. Fica fácil colocando dados e imagens impactantes! Pensei até que fosse propaganda de filme de Holywood!

FATO NÚMERO DOIS: interesses econômicos escusos. Este tem duas vertentes: a primeira, é que o tráfico de drogas em si, ostenta o título de segundo comércio mais lucrativo do mundo. A segunda, é que os Estados recebem fundos para utilizarem em campanhas de combate às drogas. Resumindo: é vital a existência de viciados para que se concretizem as duas situações.

A busca incessante pelo lucro é imperativa. Como já dizia Maquiavel que os fins justificam os meios, aqui a intenção é encher os cofres. Não importa de que forma isso acontecerá. Isso explica o fato de que se precisa de consumidores para manter o comércio das drogas. Será que o combate as drogas é realmente sério?

***

O efeito social do crack é o mais deletério. A sua escolha como antagonista dessa campanha não foi à toa. O preço baixo da pedra, geralmente R$ 1,00 e a rapidez com que a droga vicia são as principais causas de sua popularidade entre os usuários. Estatísticas comprovam que seus dependentes químicos correm risco de morte muito maior que a população em geral. Muitos morrem assassinados, de overdose ou de AIDS. Estes viciados são o nicho de maior crescimento da AIDS no Brasil.

Pode parecer falácia, mas até os traficantes estão começando a concordar com isso. No Rio de Janeiro, eles estão coibindo o seu uso, pois estão temendo que o crack destrua sua fonte de renda: os consumidores.

***

Tomara que a ação do governo não se esgote na propaganda. Esta é insuficiente para gerar efeitos concretos no combate as drogas. Ações administrativas mais competentes, mais investimentos na segurança pública e na área social, sempre!